Ligas das Mulheres pelo Oceano, um movimento em rede em defesa dos mares

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30.08.21

“Nosso objetivo é criar espaço e estimular as meninas a olharem para o oceano quando olharem para o futuro.” 

O oceano cobre mais de dois terços da Terra; isso por si só deve ser evidência suficiente de sua importância. A humanidade depende do oceano para coisas essenciais, como respirar. Mais da metade do oxigênio que respiramos vem do Oceano, sabia? 

Há mulheres pescando, nadando, velejando, mergulhando, fazendo trabalhos de conservação e pesquisa, e uma série de outras atividades relacionadas à ciência conectadas aos oceanos do mundo. Mas ainda não tem o mesmo espaço nos salões do poder do mundo, onde tantas decisões sobre o futuro, o nosso, e do oceano são tomadas. 

Como poderíamos governar o oceano sem mulheres? 

A desvalorização e a discriminação das mulheres no oceano, particularmente em relação aos direitos aos serviços ecossistêmicos, nos tornam altamente vulneráveis ​​no contexto de pressões e ameaças ao meio ambiente. Nas zonas costeiras, por exemplo, as mulheres sofrem diretamente com as mudanças climáticas devido ao deslocamento e à falta de água. Também são mais vulneráveis ​​aos mares poluídos, seja pela falta de saneamento, que leva a várias doenças, seja aos plásticos. 

Mulheres são essenciais atoras na conservação da natureza do mundo. 

O que este momento exige é um mosaico de vozes. Todas as ideias, ações e percepções para estratégias inovadoras são mais do que o necessário. Por muito tempo, muitos líderes estiveram focados no lado errado e desenvolvendo práticas ineficazes. Estamos enfrentando as consequências agora. 

No entanto, existe um raio de esperança. Agora também estamos aprendendo que a atenção à participação das mulheres na tomada de decisões cruciais traz resultados. 

Uma maior representação política para as mulheres já contribuiu para melhores regulamentações ambientais, mas no geral a arena política continua sendo a dimensão de pior desempenho. Na América Latina, 28,9% de todas as cadeiras no Congresso da região foram ocupadas por mulheres. No Brasil, em particular, 9% dos cargos ministeriais são ocupados por mulheres e cerca de 15% no parlamento. 

No entanto, no Brasil e no mundo, ainda há invisibilidade em torno do protagonismo feminino na ciência, o que por sua vez impede que muitas futuras cientistas e meninas aprendam com exemplos inspiradores e bem-sucedidos. 

Então, temos que conversar sobre isso. E temos que engendrar esforços para inspirar as meninas a compreender a importância da ciência na sociedade e o quanto dependemos dos recursos do oceano para nossa saúde, bem-estar e sustento. 

Em um esforço para abordar essas conexões inerentes entre mulheres, meninas e o oceano, em março de 2019, criamos a Liga das Mulheres pelo Oceano, que agora tem mais de 2.200 participantes, principalmente no Brasil. Convocamos mulheres que sabíamos que estavam na linha de frente da proteção do oceano em seus diferentes campos de atuação para se unirem a essa causa. 

É um movimento em rede conectando líderes extrativistas, documentaristas, pesquisadoras, estudantes, surfistas, mergulhadoras, professoras e mais diversidade de profissões e vocações ligadas pelo mar ao mar. 

As mulheres entendem a exclusão e, portanto, como é importante ser incluído, o que motiva e desafia as mulheres líderes a abrirem espaço para mais mulheres. Nosso objetivo é criar espaço e estimular as meninas a olharem para o oceano quando olharem para o futuro. Não apenas quando se trata de usar, mas também quando se considera proteção e nutrição. Precisamos de tantos de nós quanto possível se quisermos fazer as mudanças que são necessárias. A liderança diversificada nos ajuda a tomar melhores decisões e cria uma maior consciência mútua. 

Ao fundar a Liga, percebemos a importância de uma comunicação mais eficaz com a sociedade. Como poderíamos explicar às pessoas as ameaças que o oceano enfrenta? O mais importante para nós é sermos capazes de falar com uma variedade de pessoas e manter a diversidade como uma parte crucial da nossa visão, não apenas na liderança, mas em tudo o que fazemos. 

Na ciência, foi relatado que, globalmente, há mais mulheres na ciência oceânica do que na ciência em geral. Recentemente, no Brasil, por exemplo, o governo vem organizando workshops regionais para discutir os desafios da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Não surpreendentemente, em todas as regiões e em todos os workshops, a maioria dos participantes eram mulheres. 

Este nível de participação feminina é um indicador muito importante do que está por vir. 

Com visões inclusivas e diversificadas, vamos começar a construir o conhecimento necessário para implementar a Agenda 2030, onde o ODS 14, para ser cumprido, precisa estar conectado com outros ODS, por exemplo, o ODS 5 sobre equidade de gênero.  

Já que esta agenda global chegou com o slogan “não deixe ninguém para trás” … realmente temos que nos comprometer com isso e incluir a todos, começando com mulheres e meninas. 

 Quem embarca nessa? 

Paulina Chamorro, jornalista, cofundadora da Liga das Mulheres pelo Oceano e desenvolve, com apoio da Fundação Toyota, junto com o fotografo João Marcos Rosa, o projeto reportagem Mulheres na Conservação. Com paixão pela natureza, há duas décadas se dedica a cobrir a pauta socioambiental. 

Leandra Gonçalves é doutora pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Ela é uma pesquisadora interdisciplinar com a missão de conservar o oceano em um mundo em mudança. E é cofundadora da Liga Feminina para o Oceano.

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