17 anos da Fundação Toyota do Brasil: o legado nos convida para o futuro a partir da descarbonização

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24.06.26

Ao celebrarmos os 17 anos da Fundação Toyota do Brasil, a maturidade nos impõe uma reflexão que vai além das conquistas passadas. Chegamos a este marco não apenas para olhar pelo retrovisor, mas para ajustar nossa rota em direção ao maior desafio da nossa geração: a crise climática. A partir da nossa participação na COP30, entramos em uma nova e decisiva frente de atuação focada na neutralidade de carbono.

Historicamente, nossa caminhada foi pautada pela preservação e restauração de diferentes biomas brasileiros, investindo em projetos de impacto com foco no Pantanal, na Mata Atlântica e na Amazônia. E, mais recentemente, ao lado de instituições parceiras, também estamos acelerando a inclusão produtiva de jovens em situação de vulnerabilidade social. 

No final de 2025, inclusive, assinamos o nosso compromisso com o Pacto Nacional pela Inclusão Produtiva das Juventudes, uma iniciativa do UNICEF que visa conectar a juventude brasileira a oportunidades de trabalho decente, educação e formação profissional até 2030. 

No entanto, entendemos que a justiça social e a preservação ambiental são indissociáveis da matriz energética que move o país e, ao longo das agendas internacionais que participo, consigo observar com clareza que a nossa nação possui uma vantagem competitiva única no cenário global. 

Enquanto uma fundação pautada pelo compromisso com o desenvolvimento socioeconômico do país, acreditamos que a descarbonização não deve ser uma solução importada, mas uma construção que respeite a realidade local. Nesse contexto, defendemos o uso de biocombustíveis, combinados com tecnologias automotivas, como uma solução realista e imediata para a descarbonização da mobilidade, especialmente em um país com a competência e infraestrutura bioenergética que possuímos. 

Nossa estratégia é respaldada pela ciência. Durante a COP30, apresentamos o estudo ‘The Role of Bioethanol in Sustainable Mobility, Social and Economic Development’, desenvolvido ao lado de instituições de excelência como USP, UNIFEI e o IAC. O trabalho demonstra, com dados, o papel vital do bioetanol não apenas na redução de emissões de CO2, mas como vetor de desenvolvimento socioeconômico e fortalecimento das comunidades regionais.

Segundo o estudo, um veículo convencional a gasolina emite um quilo de CO2 após rodar apenas 3,7 quilômetros. Enquanto que um veículo equipado com a tecnologia híbrida flex full movido a etanol permite percorrer 12,9 quilômetros antes de atingir a mesma marca. Na prática, essa tecnologia permite que o brasileiro viaje 3x mais longe com a mesma pegada de carbono da tecnologia convencional.

E com a atual guerra no Oriente Médio, o impacto no nosso bolso é quase imediato. Como essa região possui grandes reservas de petróleo, qualquer tensão por lá interfere no nosso dia a dia aqui. Nesses momentos de tensões mundiais, conseguimos sentir de forma mais latente o quanto ainda dependemos de combustíveis fósseis.  

Não é só o tanque do carro que fica mais caro, mas como quase tudo no Brasil viaja por estradas, o frete sobe e a conta acaba sobrando até para a comida que chega na nossa mesa. Portanto, o etanol não é somente uma escolha mais sustentável, é uma estratégia de soberania econômica que aproveita a força agrícola brasileira para gerar valor tecnológico e social.

Assim, convidamos todas as pessoas a se juntarem a nós neste desafio. Lado a lado, vamos apoiar a construção de um mundo onde a tecnologia e as ações de neutralidade de carbono caminhem na mesma direção, garantindo um planeta mais justo climaticamente e socialmente para as próximas gerações.

Roberto Braun

Presidente da Fundação Toyota do Brasil

*Formado em Engenharia Mecânica, Roberto tem Pós-graduação em Administração de Empresas e Gestão de Marketing e um MBA em Comércio Internacional. Com quase 30 anos de experiência, tem uma trajetória marcante em importantes indústrias automotivas, tanto no Brasil quanto no exterior. 

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